Por que rezar de manhã e de noite
Há um instante, todas as manhãs, em que a pessoa ainda não decidiu o que fará do seu dia. Os olhos se abrem, a consciência retorna, e por alguns segundos não existe pressa, não existe pauta, não existe o peso das tarefas. É um instante breve, e quase sempre desperdiçado. Logo o pensamento corre para o celular, para a lista de afazeres, para a primeira preocupação, e o dia começa sem ter sido oferecido a ninguém.
A oração da manhã reivindica esse instante. Ela não pede muito tempo, pede prioridade. Pede que, antes de pertencer ao trabalho, ao trânsito e às mil exigências, o dia seja primeiro entregue a Deus. Quem aprende a fazer isso descobre que não se trata de acrescentar mais uma obrigação a uma agenda já cheia, e sim de mudar a ordem das coisas. O dia oferecido logo ao despertar tem outra qualidade. Não porque os problemas desapareçam, mas porque deixam de ser o primeiro e o último senhor da consciência.
A oração da noite faz o movimento contrário e igualmente necessário. Ao cair do dia, a alma carrega o acúmulo das horas: o que se fez e o que se deixou de fazer, a palavra dura, o cansaço, a pequena vitória que ninguém viu. Rezar à noite é entregar tudo isso de volta. É olhar o dia em retrospecto, agradecer o bem, reconhecer a falta, pedir perdão e adormecer em paz, sem levar para o travesseiro o peso que não cabe a ninguém carregar sozinho. A Igreja chama a esse repouso confiante o sono dos filhos de Deus.
As duas pontas do dia
Entre essas duas pontas, a manhã que oferece e a noite que devolve, transcorre a vida inteira do cristão. Rezar nas duas pontas é cercar o dia de oração, de modo que nem o seu começo nem o seu fim pertençam ao acaso. É o que a Igreja faz há muitos séculos, com palavras que ela mesma recebeu da Escritura e poliu na fé de gerações. E é o que este livro convida o leitor a fazer, durante trinta dias, em sua companhia.
Não se exige nada além de fidelidade. Nem voz bonita, nem tempo livre, nem conhecimento prévio. Exige-se apenas estar presente ao começo e ao fim de cada dia, com o livro aberto e o coração disposto. O resto a oração faz por dentro, devagar, do jeito que as coisas verdadeiras costumam acontecer.
O livro segue com uma pequena iniciação às Laudes e Vésperas e os trinta dias de oração, em quatro movimentos, com cinco apêndices de referência. A obra completa está na Amazon.
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