A existência dos anjos
Existem os anjos? A pergunta parece simples, e é. Mas dela depende tudo o que se possa dizer depois. Antes de perguntar o que são os anjos, como se organizam, o que fazem na batalha ou junto de cada pessoa, é preciso saber se de fato existem, e com que firmeza a fé o afirma.
Sem essa certeza, todo o resto seria castelo no ar. Por isso o livro começa aqui, no alicerce, antes de subir às salas mais altas da casa. Tudo o que adiante se dirá sobre o espírito puro, a inteligência e a vontade angélicas repousará sobre o que este capítulo precisa firmar: que os anjos não são imaginação piedosa nem símbolo poético, mas criaturas reais, cuja existência a fé católica confessa sem hesitação.
A questão não é ociosa. Vivemos numa época dividida diante do invisível. De um lado, uma mentalidade que tudo quer medir e ver, e que por isso descarta como fantasia o que escapa aos sentidos. De outro, uma sede desordenada de espiritualidade, que se volta para os anjos com fascínio, mas fora da fé, misturando-os a toda sorte de crenças. Entre o ceticismo que os nega e a credulidade que os deforma, a fé católica afirma algo sóbrio e firme.
A existência dos anjos é verdade de fé. Isto significa que não se trata de opinião piedosa que o católico possa livremente aceitar ou recusar, mas de algo que pertence ao depósito da Revelação e que a Igreja ensina como revelado por Deus. Quem nega a existência dos anjos não se afasta de uma devoção; afasta-se de uma verdade que a fé professa.
O primeiro capítulo continua com o testemunho da Escritura, a constância da Tradição e a voz do Magistério. Os outros seis capítulos, a Conclusão e os cinco apêndices estão na edição completa.
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